domingo, 24 de julho de 2011

O LOBISOMEM

A história de um jovem que filho da Lua que é controlado por ela para que cometa assassinatos e atrocidades na forma de um monstro meio homem e meio lobo e que ao tomar consciência de seus atos escolhe matar a mãe à continuar a tirar vidas de inocentes.
Há muito tempo, em um reino distante chamado Voltare, Luna a deusa da lua concedeu a um casal de idade bastante elevada a graça de ter um filho. Jaha, esposa de Gorus, era infértil e seu maior sonho era gerar uma criança. Depois de longos anos de preces e súplicas as estrelas, Jaha, aos 62anos concebeu uma criança.

Luna que sempre fora deslumbrada com o planeta azul decidiu, para inveja de Hélios o deus Sol, passar uma vida entre os homens. Comovida com as preces de Jaha, a deusa lua escolheu passar os primeiros anos de sua vida junto ao casal idoso.

A pobre senhora, pela idade avançada, não resistiu ao parto e faleceu. Mircéa então veio ao mundo, uma linda criança de cabelos prateados e olhos azuis escuro.

Mircéa concedeu ao seu pai uma longevidade incomum e cresceu feliz em um vilarejo simples em meio as montanhas e longe da cidade grande. Com o passar dos anos, Luna se tornara uma belíssima mulher atraindo olhares de todos os homens do lugar. Notícias de sua beleza em pouco tempo saíram do vilarejo e chegaram até os ouvidos de Panmom o bispo.

Voltare era um reino sem rei, o último morrera há décadas, filho único e sem herdeiros. O clero era a aristocracia do lugar e o bispo era a autoridade maior.

Ao receber a notícia de uma mulher de cabelos prateados em um vilarejo pagão, Panmom foi até o lugar averiguar do que se tratava. Ele juntou vários soldados e foi até o lugar. Quando chegar lhe indicaram a casa em que Mircéa vivia. Ao encontrar a mulher, o bispo perdeu suas palavras, ele nunca havia visto algo tão belo em toda a sua vida de celibato e mesmo após tantos anos de dedicação e castidade, Panmom ainda era um homem e sentiu algo bem comum para a maioria mais a tempo reprimido por ele. Possuído por um sentimento que misturava ódio e tentação, Panmom ordenou que destruíssem o vilarejo pagão e prendessem Mircéa para ser executada como bruxa. Presa por correntes como um animal, Luna não entendia o que se passava e sem resistir foi levada até o castelo para ser julgada.

Semanas se passaram enquanto Mircéa aguardava seu julgamento, o bispo sentia muito ódio e fascínio pela criatura e por mais que quisesse, ele não conseguia mandar lhe tirassem a vida. Com certa freqüência Panmom visitava a mulher, não conversava e nem se aproximava, ficava de longe a observá-la. Com o passar dos dias, a tentação de possuir aquela mulher angelical cresceu dentro do homem santo e em pouco tempo ele não pode mais resistir e a tomou para si. Alguns dias depois ele espalhou a notícia de que ela morrera e simulou uma fogueira onde ele jogou um corpo dizendo ser o de Mircéa. Por um longo tempo ele a manteve acorrentada no calabouço do castelo, em uma ala onde somente ele e algumas cervas de confiança visitavam. O sofrimento era tamanho que Luna desejava a própria morte.

Longos anos se passaram e nenhum dia se passou sem que a deusa lua não se arrependesse do dia em que desejou ser mortal e desejasse sua própria morte. Dessa relação doentia nasceu uma única criança que carregava dentro de si todo o ódio de Luna pelos homens. Elara, mulher de um dos soldados não tinha filhos e depois do parto de Mircéa pegou a criança para si escondida de Panmom.

Ela o criou como um filho, lhe dando amor e carinho. Bóris cresceu como uma criança normal sem saber o que ele era e o que carregava dentro de si. Até que depois de algum tempo algo parecido com fogo começou a queimar em seu peito e um ódio inexplicável nasceu em seu coração inocente. Na noite de seu 13° aniversário a lua brilhava cheia no céu. Havia algo diferente naquela noite, a lua tinha um brilho avermelhado e durante a noite, Bóris finalmente se transformou no que havia nascido para ser. Enquanto dormia Bóris teve um sonho estranho, estava mais bem mais alto, enxergava um mundo diferente ao seu redor, as pessoas gritavam em desespero ao vê-lo caminhar pela rua. Ele se viu saindo do castelo de Voltare com uma mulher estranha em seus braços, havia um gosto estranho em sua boca, e um pelo grosso e negro como a noite cobria todo seu corpo.

Depois de salvar a mulher misteriosa, Bóris a levou para uma cabana abandonada em meio a floresta onde ele pode verificar que ela estava muito ferida.

Utilizando de ervas e do pouco que aprendera com sua mãe Elara, Bóris cuidou dos ferimentos de Mircéa que em poucos dias estava curada. Havia algo medonho no olhar daquela mulher, Bóris não conseguia deixá-la, por mais que tentasse se afastar, em pouco tempo se via caminhando em direção dela novamente.

Todas as noites Bóris perdia a consciência por horas, quando voltava a si, via Mircéa a sua frente com um largo sorriso no rosto e seu corpo coberto de sangue. Com o passar dos anos Luna se tornou descuidada e certa noite, algumas horas após perder a consciência, Bóris acordou em meio a uma chacina que ele mesmo realizara e então compreendeu o que acontecia. Consciente do que acontecia e cheio de culpa sobre seus ombros, Bóris passou a treinar sua mente para controlar seu corpo. Demorou um pouco mas finalmente conseguiu controlar totalmente seu corpo e quando Luna ordenava que ele matasse pessoas, ele as assustava e se sujava com o sangue de algum animal. Bóris se sentia mal porque amava muito aquela mulher, porém sabia que tinha que dar um fim naquela situação. Certa noite então, decidido do que fazer, o lobo voltou mais cedo para Mircéa e ainda em sua forma lupina, atravessou o tórax da deusa lua com suas garras. Sem entender o que estava acontecendo Mircéa não pode reagir, tudo o que pode fazer foi dizer que era a mãe de Bóris.

Décadas se passaram e Bóris se manteve isolado, parte pela profunda culpa que sentia e parte por medo de perder o controle novamente. Todas as noites ele passava horas a admirar a lua, sentia algo familiar nela e por vezes ele quase a podia ouvir.

Desde então ele nunca mais foi visto e as lembranças sobre o lobo que atormentava Voltare passou a ser somente uma lenda antiga.

Por: Rodrigo Sansi

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